
Em maio do ano passado começou a minha primeira judicialização. Aconselhada pela doutora fofa, reuni os documentos e fui atrás do direito. O remédio custa caro, muito caro. A liminar a meu favor saiu em fevereiro deste ano. A União deveria ter cumprido a decisão até meados de abril, mas nada aconteceu. Então começaram a pedir a renovação dos documentos que eu já havia mandado: a receita, o relatório, etc e tal.
Intuí a enrolação e logo depois descobrimos a razão. O julgamento definitivo estava marcado para o final de junho. E a decisão definitiva foi publicada ontem no diário oficial. Eles vão me dar o remédio e eu me comprometo a informar num prazo máximo de 48horas caso interrompa o tratamento.
Sair de um remédio que já conheço, a gencitabina, e ir para um novo é outro salto rumo ao desconhecido.
A gente nunca sabe quais serão as reações com um novo remédio. Todas, nenhuma, algumas. Sem contar que o TdX, sigla da maravilha tecnológica, é uma Droga associada a anticorpo – algo que nunca usei e não sei quais serão os efeitos sobre mim.
O que mais me preocupou, a princípio, foi a tal da pneumonite. Hoje percebo que há outros detalhes: a montanha de corticóides, por exemplo, que costumam ter um efeito sapo-boi nada agradável. Ao mesmo tempo, há a esperança de ver as lesões realmente sumirem e um dia, talvez, quem sabe, eu poder suspender a quimioterapia. Esse é o sonho, essa é a minha esperança.
Enquanto isso, bora viver.
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